quinta-feira, 7 de março de 2013

Manual de dificuldades bíblicas- João 2

JOÃO 2


OÃO 5:34 - Jesus aceitou o testemunho humano sobre quem ele era?
PROBLEMA: Segundo esse versículo, Jesus rejeitou o testemunho humano sobre si mesmo,
insistindo: "Eu... não aceito humano testemunho". Mas em outra parte ele aceitou o testemunho de
Pedro de que ele era o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16:16-18). De fato, até mesmo no livro de
João (Jo 15:27), Jesus disse a seus discípulos: "e vós também testemunhareis, porque estais comigo
desde o princípio".
SOLUÇÃO: A diferença entre essas afirmações é devida às circunstâncias do testemunho. Ele não
aceitou um mero testemunho humano para confirmar quem ele era, mas de fato o aceitou para
propagar quem ele era. Deus, por atos miraculosos, confirmou quem era Jesus (cf. At 2:22; Hb 2:3-
4), e não os seres humanos. Por outro lado, quando os homens descobriam o que Deus tinha
revelado, o testemunho deles era válido.
Mesmo depois da grande confissão de Pedro, Jesus o fez lembrar-se de que "não foi carne e
sangue que to revelaram"(Mt 16:17). A questão pode ser resumida da seguinte maneira:
O TESTEMUNHO HUMANO NÃO PODIA - O TESTEMUNHO HUMANO 
                                                                             PODIA
Revelar quem era Jesus                                 Descobrir quem era Jesus
Confirmar quem ele era                                         Disseminar quem ele era
Provar quem ele era                                                Propagar quem ele era

JOÃO 5:37 - A voz de Deus pode ser ouvida?

PROBLEMA: Jesus declarou aos judeus: "Jamais tendes ouvido a sua [de Deus] voz, nem visto a
sua forma". Contudo, a voz de Deus foi ouvida muitas vezes no AT (cf. 1 Sm 3:4-14), e o Pai falou
do céu três vezes durante o ministério terreno de Jesus (Mt 3:17; 17:5; Jo 12:28).
SOLUÇÃO: Há várias interpretações dessa passagem. Primeiro, alguns defendem que Cristo
estava simplesmente referindo-se à multidão a quem ele estava ministrando, dessa forma não
excluindo o fato de a voz de Deus ter sido ouvida por outros. Entretanto, isso parece ser improvável
em vista da devastadora palavra "jamais", bem como pelo fato de que Jesus parece estar-se
dirigindo à nação judaica em geral, que o rejeitou (cf. Jo 1:10-11; 5:39; 12:37).
Segundo, outros crêem que Jesus está contrastando o estado do conhecimento deles com o
dos profetas do AT, que ouviram a voz de Deus e viram a sua forma (manifestada em teofanias).
Sendo assim, a incapacidade de eles compreenderem a voz de Deus era devida ao fato de que e eles
não estavam querendo responder a ela (Jo 5:40).
Terceiro, muitos eruditos sustentam que nessa questão há uma referência a eles não
atentarem para a singular ou interior voz de Deus falando a seus corações, já que eles não estavam
receptivos a sua Palavra (c . 1 Co 2:14). Isso está de acordo com o fato de que eles podiam
examinar as Escrituras (Jo 5:39) e mesmo assim não receber a sua mensagem principal, que é
Cristo. Além disso, a referência ao testemunho do Pai a respeito de Jesus (no v. 37) pode ser uma
referência à voz do céu no batismo de Jesus, a qual, da mesma maneira como a voz posterior do céu
(em Jo 12:28), eles não receberam, considerando-a como um "trova^" (Jo 12:29).



JOÃO 6:35 - Por que as afirmações de Jesus do tipo "EU SOU" são mencionadas apenas em
João?

PROBLEMA: João menciona numerosas vezes que Jesus disse "Eu sou" (por exemplo, Jo 6:35;
8:58; 10:9; 14:6). Contudo, nem mesmo uma dessas afirmações é mencionada em qualquer dos
demais Evangelhos. Será que João as inventou, ou Jesus de fato as fez?
SOLUÇÃO: João relatou com precisão o que viu e ouviu. Primeiro, ele foi uma testemunha ocular
daqueles eventos 0o 21:34; cf. 1 Jo 1:1). O seu Evangelho está cheio de detalhes geográficos (3:23),
topográficos (6:10) e de conversas particulares que denunciam um conhecimento de primeira mão
daqueles acontecimentos do primeiro século (cf. Jo 3; 4; 13, 17).
Além disso, quando João registra um acontecimento ou uma conversa que se encontra
também nos demais Evangelhos, ele o faz substancialmente, da mesma maneira como os outros
evangelistas o fazem. Isso inclui a pregação de João Batista (1:19-28), a alimentação dos 5.000
(6:1-14), Jesus andando por sobre as águas (6:15-21), comendo a Páscoa com os seus discípulos
(13:1-2), a negação de Pedro (13:36-38; 18:15-27), a traição de Judas (18:1-11), os julgamentos de
Jesus (18-19), sua crucificação (19) e sua ressurreição (20-21).
Adicionalmente, os outros Evangelhos registram as mesmas características de expressão
registradas por João. Mateus 11:25-30 parece ser um trecho extraído do Evangelho de João. Até
mesmo o emprego da expressão "em verdade...", que era característico de Jesus em João (cf. 1:51;
3:3,11; 5:19,24 etc), acha-se também nos outros Evangelhos (cf. Mt 5:18,26; Mc 3:28; 9:1; Lc 4:24;
18:17), embora João faça uso dessa expressão duas vezes mais que os outros evangelistas,
possivelmente por uma questão de ênfase.
Finalizando, as diferenças do Evangelho de João em relação aos sinóticos pode ser
explicada de várias maneiras. Primeiramente, João dedica-se bem mais ao ministério de Jesus na
Judéia, ao passo que os outros Evangelhos abordam mais o seu ministério na Galiléia.
Em segundo lugar, João registra muitas das conversas particulares de Jesus (cf. capítulos 3-
4; 13-17), ao passo que os outros Evangelhos falam mais de seu ministério público.
Em terceiro lugar, a respeito das afirmativas em que, com clareza, Jesus se expressou
dizendo: "Eu sou", elas vêm normalmente depois de Jesus ter sido desafiado, quando ele declara o
seu ponto de forma simples, mas enfática. Mesmo assim, elas não ficam sem expressões paralelas
nos outros Evangelhos, em que Jesus diz "Eu sou" [o Cristo] (Mc 14:62).


JOÃO 6:53-54 - O que Jesus queria dizer quando afirmou que nós deveríamos comer a sua
carne?

PROBLEMA: Os cristãos evangélicos crêem que a Bíblia deve ser tomada literalmente. Mas Jesus
disse: "se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida
em vós mesmos" (Jo 6:53). Isso também deve ser tomado literalmente?
SOLUÇÃO: O significado literal (i.e., real) de um texto é o significado correto, mas o sentido
literal não implica que tudo deva ser tomado literalmente. Por exemplo, o sentido literal da
afirmativa de Jesus "Eu sou a videira verdadeira"(Jo 15:1) é que ele é a real fonte da nossa vida
espiritual. Mas não quer dizer que Jesus seja literalmente uma videira com folhas crescendo de seus
braços e de suas orelhas! Um significado literal pode ser transmitido por meio de figuras de
linguagem. Cristo é o real fundamento da Igreja (1 Co 3:11; Ef 2:20), mas ele não é literalmente
uma pedra angular de granito, com inscrições gravadas.
Há muitas indicações em João 6 de que Jesus literalmente queria dizer que a sua ordem para
comer a sua carne deveria ser considerada de uma maneira figurada. Primeiro, Jesus afirmou que a
sua declaração não deveria ser tomada com um sentido materialista, quando ele disse: "as palavras
que eu vos tenho dito são espírito e são vida" (Jo 6:63). Segundo, seria um absurdo e um
canibalismo considerá-la com um sentido físico. Terceiro, ele não estava falando da vida física, mas
da "vida eterna" (Jo 6:54).
Quarto, ele chamou a si mesmo de "o pão da vida" (Jo 6:48) e contrastou esse pão com o
pão físico (o maná) que no passado os judeus comeram no deserto (Jo 6:58). Quinto, ele usou a
figura do "comer" a sua carne paralelamente à idéia de "permanecer" nele (cf. Jo 15:4-5), que
representa outra figura de linguagem. Nenhuma dessas figuras é para ser entendida literalmente.
Sexto, se comer a sua carne e beber o seu sangue fosse tomado literalmente, isso iria contradizer
outros mandamentos das Escrituras, que ensinam a não comer carne humana nem sangue (cf. At
15:20).
Finalmente, em vista do sentido figurado, esse versículo não pode ser usado em apoio ao
conceito católico romano da transubstanciação, ou sep, de comer o real corpo de Jesus na
comunhão (ver os comentários de Lucas 22:19).
JOÃO 7:1 - Por que Jesus temeu a morte, e mesmo assim disse a seus discípulos que não a
temessem?
PROBLEMA: João nos informa de que "Jesus andava pela Galiléia, porque não desejava percorrer
a Judéia, visto que os judeus procuravam mátá-lo". Contudo, Jesus disse a seus discípulos: "Amigos
meus: não temais os que matam o corpo"(Lc 12:4).
SOLUÇÃO: Jesus não estava com medo da morte; ele simplesmente evitava morrer antes da hora.
Antes do tempo certo, Jesus dizia "ainda não é chegada a minha hora" (Jo 2:4; 8:20). Mas quando a
sua hora chegou (cL Jo 12:23), ele enfrentou a morte brava e corajosamente. Do ponto de vista
humano, Jesus abateu-se com o horror da cruz (veja os comentários de Hebreus 5:7b); ele orou:
"que direi eu? Pai, salva-me desta hora?", a que ele mesmo respondeu com um enfático não: "Mas
precisamente com este propósito vim para esta hora" (Jo 12:27).
Jesus sabia desde o princípio que ele viera para morrer (cf. Jo 2:19-20; 10:10-11), e nunca
hesitou em seu resoluto propósito de "dar a sua vida em resgate por muitos" (Mc 10:45). Entretanto,
para realizar isto, tal como Deus ordenara e os profetas haviam predito, Jesus tinha de se precaver
de atentados contra a sua vida antes do tempo e da forma determinados. Por exemplo, ele teria de
ser crucificado (cf. SI 22:16; Zc 12:10), e não apedrejado, como os judeus procuraram fazer numa
certa ocasião (veja Jo 10:32-33).
JOÃO 7:8 - Jesus mentiu aos seus irmãos?
PROBLEMA: Os irmãos incrédulos de Jesus desafiaram-no a subir a Jerusalém e mostrar-se
abertamente se ele fosse o Messias (7:3-4). Jesus recusou, dizendo: "eu, por enquanto, não subo,
porque o meu tempo ainda não está cumprido" (v. 8). Entretanto, em alguns versículos depois,
vemos que "subiu ele também" (v. 10).
SOLUÇÃO: Jesus não subiu a Jerusalém da maneira como os seus irmãos sugeriram. Eles tinham
sugerido que ele fosse e se manifestasse ao mundo (7:4). Mas a Escritura declara de forma explícita
que "subiu ele também, não publicamente, mas em oculto"(7:10).
JOÃO 7:53 - 8:11 - Por que alguns eruditos questionam essa história, dizendo que não deveria
estar na Bíblia?
PROBLEMA: A história da mulher surpreendida em adultério é encontrada na maioria das versões
em português, tais como na ARA, R-IBB, SBTB, EC, NVI, TLH e BV, se bem que, em algumas
delas (como na ARA) esse texto vem entre colchetes, indicando que não faz parte do texto de João.
Algumas dessas versões incluem também uma nota explicativa. Por que muitos eruditos crêem que
essa história não faz parte do manuscrito original do Evangelho de João?
SOLUÇÃO: Há várias razões por que muitos eruditos questionam quanto a esta passagem
pertencer ou não ao Evangelho de João: (1) Essa passagem não aparece nos manuscritos gregos
mais antigos e confiáveis. (2) Ela não é encontrada nos melhores manuscritos das mais antigas
traduções da Bíblia para o siríaco antigo, para o copto, para o gótico e para o latim antigo. (3)
Nenhum escritor grego comentou acerca dessa passagem nos onze primeiros séculos do
cristianismo. (4) Ela não é citada pela maioria dos grandes primeiros "pais" da Igreja, tais como
Clemente, Tertuliano, Orígenes, Cipriano, Cirilo e outros. (5) O seu estilo não é conforme o restante
do Evangelho de João. (6) Ela interrompe o fluxo de pensamento de João. A seqüência parece ser
mais natural passando-se de João 7:52 para 8:12. (7) Essa história tem sido encontrada em vários
lugares diferentes em certos manuscritos - depois de João 7:36; depois de João 21:24; depois de
João 7:44; e depois de Lucas 21:38. (8) Muitos manuscritos que a incluem em João 7:53-8:11
assinalaram-na com um óbelo, indicando ser uma passagem duvidosa.
Apesar disso, muitos eruditos bíblicos acreditam que essa história é autêntica. Ela com
certeza não contém nenhum erro de doutrina, e enquadra-se dentro do caráter de Jesus e do seu
ensino, mas não se sabe ao certo se ela estava ou não no texto do manuscrito original de João.
JOÃO 8:3-11 (cf. Rm 13:4) - Nesse texto Jesus rejeitou a pena capital?
PROBLEMA: Algumas passagens apresentam um bom argumento em favor da pena capital (de
morte). Por exemplo, Romanos 13:4 diz: "porque não é sem motivo que ela [a autoridade do
governo] traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal". Em
João 8, uma mulher é surpreendida em adultério, o que era causa para apedrejamento, de acordo
com a lei mosaica. Contudo, Jesus não agiu de forma a fazer com que ela morresse, mas perdooulhe
o pecado. Daí pode-se concluir que Jesus rejeitou a pena capital?
SOLUÇÃO: Primeiro, a autoridade em Romanos 13 é o governo romano, e as autoridades em João
8 são judias. A questão é que os judeus tinham de agir conforme a lei romana. Por exemplo, se eles
realmente iriam apedrejar aquela mulher, por que eles tiveram de buscar a ajuda de Pilatos na
crucificação de Jesus? Pois em João 18:31 os judeus responderam a Pilatos, dizendo: "A nós não
nos é lícito matar ninguém". Mas no caso da mulher adúltera, eles estavam prontos para apedrejá-la.
Segundo, eles não agiram em concordância com a própria lei. A lei dizia que os dois, o
homem e a mulher, teriam de ser trazidos perante o povo (Dt 22:22-24). Desde que essa mulher
tinha sido pega no próprio aro (v. 4), por que o homem não foi trazido junto com ela para ser
apedrejado? Os escribas e fariseus que supostamente eram cidadãos guardiães da lei falharam num
ponto chave de sua própria lei.
Terceiro, os motivos que aqueles escribas e fariseus tiveram eram errados. Eles estavam
usando aquela oportunidade para tentar pegar Jesus de alguma forma, para que assim tivessem uma
razão para acusá-lo (v. 6). O crime de adultério não lhes parecia ser importante. Antes, parecia-lhes
mais importante encontrar um motivo para acusar Jesus.
Essa passagem, então, não é um bom texto para quem queira propor que Jesus se opunha à
pena de morte. De fato, outras passagens da Escritura parecem dar suporte a tal idéia (veja Gn 9:6 e
Mt 26:52).
JOÃO 9:31 - Deus ouve as orações dos pecadores?
PROBLEMA: João disse: "Sabemos que Deus não atende a pecadores". Contudo, Jesus disse que
Deus ouviu o publicano que orou: "Ó Deus, sê propício a mim, pecador!" (Lc 18:13). Deus ouve os
pecadores quando eles oram?
SOLUÇÃO: Deus ouve os pecadores quando eles confessam que são pecadores e aceitam o perdão
de Deus. Porque "todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Rm 10:13). Jesus
prometeu: "o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora"(Jo 6:37).
Entretanto, Deus não promete responder as orações de pecadores que não estejam servindo
ao verdadeiro Deus. Jesus disse: "se alguém teme a Deus e pratica a sua vontade, a este [Deus]
atende" (9:31). Mesmo assim, a graça de Deus excede a sua promessa, e ele aparentemente às vezes
responde à oração de uma pessoa não-salva como parte de seu extensivo plano providencial para
trazê-la para si (cf. Jn 1:14-15). Nesse sentido, a resposta de Deus à oração do não-salvo é parte da
"bondade de Deus ... que te conduz ao arrependimento" (Rm 2:4).
JOÃO 10:11 - Jesus é pastor ou é uma ovelha?
PROBLEMA: João apresenta-nos Cristo como sendo o "bom pastor". Contudo, em outra
passagem Jesus é o cordeiro (ovelha) que morre por nossos pecados (Jo 1:29; 36). O que é ele
então?
SOLUÇÃO: Cristo é apropriadamente apresentado por essas duas figuras de linguagem. Ele
morreu como o nosso Cordeiro pascal (1 Co 5:7) e ele dirige e guia o seu povo como o bom pastor.
Num contexto, os crentes são como o povo de Israel, que precisa do cordeiro pascal para morrer por
eles. Noutro, somos como ovelhas errantes, que precisam de um pastor para as dirigir. As duas
figuras são verdadeiras.
JOÃO 10:11 - Jesus morreu apenas por seus amigos, ou por seus inimigos também?
PROBLEMA: João menciona Jesus declarando que Ele deu a sua "vida pelas ovelhas" (cf. 15:13).
Mas Paulo afirma que "Cristo ... morreu a seu tempo pelos ímpios", enquanto eles eram ainda
"inimigos" (Rm 5:6,10). Como essas duas declarações podem ser verdadeiras, se são conflitantes
entre si?
SOLUÇÃO: Jesus morreu tanto por seus amigos (discípulos) como por seus inimigos. De fato,
seus "amigos" eram inimigos quando Jesus morreu por eles. Não há contradição, já que o texto não
diz que Cristo morreu somente por seus amigos. De fato ele morreu por aqueles que se tornariam
seus amigos, mas morreu também por aqueles que permaneceriam como seus inimigos. Pedro
refere-se aos apóstatas que estavam renegando "o Senhor que os resgatou" (2 Pe 2:1).
JOÃO 10:30 - Cristo era um com o Pai?
PROBLEMA: Jesus disse: "Eu e o Pai somos um" (Jo 10:30). Mas em outras Ocasiões ele se
distinguiu do Pai, dizendo: "Vim do Pai e ... deixo o mundo e vou para o Pai" (Jo 16:28). Ainda, ele
orou ao Pai como de uma pessoa para outra (Jo 17), e até mesmo disse: "o Pai é maior do que eu".
SOLUÇÃO: Jesus era um com Pai em natureza, mas distinto dele em pessoa. O Deus triúno tem
uma só essência, mas três distintas pessoas (veja qs comentários de João 14:28). Assim, Jesus era o
mesmo em substância com o Pai, mas ainda assim tinha personalidade à parte do Pai.
JOÃO 10:34 -Jesus advogou que o homem pode tornar-se Deus?
PROBLEMA: Jesus respondeu a um grupo de judeus e disse: "Não está escrito na vossa lei: ‘Eu
disse: sois deuses?’ Isso quer dizer então que os seres humanos podem tornar-se Deus, tal como as
religiões panteístas e da Nova Era ensinam?
SOLUÇÃO: O contexto dessa passagem revela que Cristo tinha acabado de se declarar um com o
Pai, dizendo: "Eu e o Pai somos um" (10:30). Os judeus quiseram apedrejá-lo porque pensaram que
Jesus estava blasfemando, já que ele estava se fazendo igual a Deus (vv. 31-33).
Jesus respondeu citando o salmo 82:6, que diz: "Eu disse: sois deuses". Esse salmo dirige-se
a juizes que estão julgando injustamente. O título de "deuses" não é dirigido a qualquer um, mas
somente àqueles juízes a respeito de quem Jesus disse que são aqueles para "quem foi dirigida a
palavra de Deus" (v. 35).
Cristo estava mostrando que se as Escrituras do AT podiam dar algum status divino a juízes
que tinham sido divinamente assim designados, por que eles teriam de achar incrível que ele se
chamasse de o Filho de Deus? Assim, Jesus estava defendendo a sua própria divindade, e não a
deificação do homem.
JOÃO 11:4 - Jesus cometeu um erro ao dizer que a doença de Lázaro não era para a morte?
PROBLEMA: A princípio Jesus disse: "Esta enfermidade não é para morte" (Jo 11:4). Entretanto,
mais tarde até mesmo Jesus admitiu: "Lázaro morreu" (v. 14). Jesus não cometeu um erro então, ao
pensar que Lázaro não iria morrer?
SOLUÇÃO: Jesus sabia todo o tempo que Lázaro morreria e que ele o levantaria de entre os
mortos, de forma que isso seria para a glória de Deus (v. 4). Ele empregou figuras de linguagem
diferentes para ensinar aajs discípulos que a morte de Lázaro não era final. Ele usou a expressão:
"Lázaro adormeceu" (v.11) e disse que "não é para morte" (v. 4), querendo com isso dizer que o
resultado não seria a morte de Lázaro, mas sim que ele estaria vivo mediante o poder ressuscitador
de Jesus. Ou seja, embora a enfermidade de Lázaro temporariamente lhe traria a morte, o poder de
Jesus o restauraria à vida.
JOÃO 11:26 - Como Jesus pôde dizer que nunca morreremos, se a Bíblia declara que todos
um dia morreremos?
PROBLEMA: Deus mesmo disse a Adão: "No dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gn
2:17). Paulo reafirmou isso, declarando que "por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo
pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram" (Rm
5:12). Mas Jesus parece contradizer isso quando afirmou: "todo o que vive e crê em mim não
morrerá, eternamente" (Jo 11:26).
SOLUÇÃO: Antes de mais nada, mesmo tomando literalmente o que Jesus disse, ele não estava
afirmando que os crentes não morreriam. De fato, ele declarou no versículo precedente: "ainda que
morra, viverá". Em outras palavras, Jesus declarou que por ser ele a "ressurreição e a vida" (v. 25),
ele ressuscitaria para uma vida eterna aqueles que nele cressem (cf. Jo 5:28-29).
Além disso, Jesus poderia estar falando acerca da vida espiritual e da morte espiritual. Nesse
sentido, aqueles que nele crêem terão vida espiritual (Jo 3:16, 36), mesmo vindo a experimentar a
morte física. Pois aqueles que nascerem uma vez só morrerão duas vezes: uma vez fisicamente e
outra vez na "segunda morte" (Ap 20:14), a separação final de Deus. Mas aqueles que nascerem
duas vezes (Jo 3:3, 7) morrerão apenas uma vez (fisicamente), mas viverão com Deus para todo o
sempre.

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